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quarta-feira, 06 de julho de 2016
No rumo de uma economia mais circular

No rumo de uma economia mais circular

Vários especialistas dizem que estamos vivendo em uma economia de abundância, onde o acesso à informação, tecnologia e serviços está cada vez mais fácil.

De fato hoje uma pessoa tem em um único dia mais acesso a informação do que uma pessoa tinha em toda sua vida no século 19. E sim, a tecnologia está muito mais acessível, milhões de pessoas no Brasil acessam seus tablets, celulares e computadores diariamente.

A questão é que produzimos estes produtos da mesma forma que produzíamos no inicio da revolução industrial: Extraindo recursos naturais que demoram milhões de anos para serem gerados na natureza (petróleo, madeira, minério, entre outros), transformando os recursos em matérias primas e posteriormente desenvolvendo produtos que são vendidos e consumidos. Em termos gerais é esse o processo desde a Revolução Industrial:  A Economia Linear( Extrair, produzir, descartar).

Diferente do acesso às informações, a cada dia mais abundante no mundo, os recursos naturais usados para a produção dos produtos estão cada vez mais escassos, mais caros, e mais difíceis de extrair da natureza.

Por outro lado, o valor gasto pelas cidades em gerenciamento de resíduos gerados por este formato linear aumenta a cada dia. No Brasil já se perdem em lixões e aterros sanitários mais de R$ 8 bilhões todos os anos em materiais que poderiam ser reaproveitados na sociedade.

Isto não faz sentido algum.

Nós seres humanos somos os inventores do lixo. Somos os únicos seres vivos que habitam o planeta Terra que geram resíduos que não são aproveitados por mais nenhum ecossistema.

Mas existe luz no final deste monte de lixo.
Um movimento vem criando força no planeta e começa a chegar no Brasil. É um movimento a favor da circularidade, da simbiose entre os ecossistemas exatamente como a natureza nos ensina todos os dias. Uma economia onde o resíduo de um ecossistema é matéria-prima para outro.

Alguns exemplos interessantes já estão no mercado para provar que é possível, como é o caso da Interface nos EUA. Esta empresa atua no mercado de carpetes para o mundo corporativo, mas ao invés de vender os carpetes, eles alugam estes produtos, transformando em um serviço de decoração dos escritórios.
Este processo muda toda a dinâmica da empresa, pois ao invés de vender produtos que estragam rápido para que a venda se repita muitas vezes (economia linear) eles alugam o carpete e são responsáveis pela manutenção dos mesmos no cliente, e obviamente, querem que durem muito mais.
E se o carpete estragar, não tem problema, eles reciclam 100% do que produzem e usam em seu próprio processo produtivos os resíduos pós-consumo. Já faturam algo em torno de US$1 bilhão todos os anos neste modelo.

Outro exemplo é o da empresa HILTI, da área de ferramentas de construção civil. Percebendo que estavam perdendo competitividade para produtos chineses nos mercados que eles atuavam, decidiriam sair de uma empresa orientada para produtos, para uma empresa gerenciadora de ferramentas para construtoras. Ou seja, ao invés das construtoras comprarem suas ferramentas, eles agora podem deixar toda a gestão para a HILTI, que avalia o cronograma da obra e disponibiliza as ferramentas necessárias para garantir a qualidade do serviço. O cliente não precisa mais se preocupar com manutenção, inventário das ferramentas e foca 100% no cronograma da obra e na qualidade de seu trabalho.

No Brasil também temos nosso case de Economia Circular, que é o filtro de água Brastemp. Há mais de 10 anos eles não vendem mais filtro e sim alugam “água filtrada” para residências e escritórios em todo o Brasil. Novamente transformaram um processo de economia linear (vender mais filtro) para um processo circular (aluguel de água filtrada). E é claro que com esta mudança os filtros precisam ser muito duráveis, de fácil manutenção e reparo, pois agora toda responsabilidade pelo produto é da empresa e não mais do cliente. Genial não?

A WiseWaste nasceu com este conceito em sua essência e já ajuda empresas como P&G, Natura, BRF, Braskem, PepsiCo, Nestlé e outras nesta nova forma de fazer negócio. Unindo Tecnologia, Logística Reversa e Desenho de novas experiências estamos gerando mudanças antes vistas como impossíveis.

Esta coluna está nascendo para apresentar ideias, cases e para falarmos mais sobre o tema da Economia Circular na prática.
Queremos interagir, compartilhar e co-criar novas ideias com você. Faça parte deste movimento!